Uma
análise sociológica e política do assunto que faz sucesso nas mídias sociais
As mídias sociais tem sido bombardeadas nos últimos dias, com mulheres que colocam o cartaz na frente de seu corpo com a seguinte frase #eunãomerecoserestuprada , colocando em xeque, o que as análises de opinião pública podem levar ao leitor(a) a indução de uma pesquisa de dados mal formulada ou por uma falta de apuração completa.
A análise de opinião
pública, ou seja, as questões a serem levantadas pelo repórter e o que o leitor
pode absorver sobre o tema abordado foi colocado em questão pelo Professor Guilherme
Carvalhido levanta a questão das pesquisas de opinião públicas e quais os
caminhos a serem levados através do que o IPEA com a sua pesquisa.
Para Carvalhido, o que
deve ser levado é o que a mídia pode fazer mediante a esses dados:
“A mídia pode fazer
qualquer tipo de interpretação.Principalmente levando em conta quais os tipos
de dados relacionados a essa informação.O que é possível de ver nessa análise é
que estamos dentro de uma sociedade conservadora e machista.”
Ao que pode ser relatado com as notícias da Veja e do Correio Braziliense são as angulações que cada uma direciona as suas matérias, a veja para o ponto de vista da oposição, colocando em debate se esses dados são manipulados a favor do Governo e a matéria do Correio Braziliense aborda o assunto como um tema mais original, mais trabalhado.
O Professor da UVA ainda aponta
para qual lado devemos direcionar esse tema e com que aspecto podemos verificar
a tradução desses dados do IPEA:
“O aspecto social deve
ser levado em conta, pois uma matéria está colocando o Governo como “manipulador”
da pesquisa e o outro aborda exatamente o aspecto social, ou seja, cultural,
com a riqueza dos dados e o trabalho feito sobre o tema, se o machismo e o
feminismo tem uma co-relação com os dados levantados pelo IPEA?Que medidas o estupro
e o envelhecimentobrutal do estupro devem ser discutidas socialmente”. Alerta o
Professor.
A conclusão de
Carvalhido foi direcionada ao que pode ser discutido através da discussão e a
repercussão desse tipo de dado para a sociedade:
“Os meios de comunicação
deveriam depositar nessa discussão, não só os meios de comunicação, mas a
sociedade deve abrir esse assunto e oresultado aterrador, para a sociedade
brasileira. Nós (brasileiros) temos um ponto de vista muito retrógado sobre os
direitos da mulher e o modo de que ela
deve se portar diante da sociedade.Dessa forma, toda essa repercussão ela se dá
a partir dos interesses que os meios midiáticos tem na sociedade. Agora,
voltando a dizer, eu acho que esse ponto de vista deve ser discutido
sociológicamente, culturalmente, em relação a essses dados estão distribuídos e
efetivos na sociedade”. Finaliza.
Paulo Roberto avalia a pesquisa com um olhar sociológico
Foto: Artur Rangel
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| Paulo Roberto Araújo, gravando o Podcast, na UVA Cabo Frio |
O Professor de História e ex-professor da matéria Comunicação e Formação Social Brasileira, Paulo Roberto Araújo, fala sobre o ruído da comunicação e o "Bad Press" como a informação deve ser absorvida pela sociedade:
"A maneira de como a imprensa divulga essas informações que tem que ser mudadas. Então, esse cuidado de ter uma compreensão pública da ciência é uma coisa que ainda falta no Brasil.Isso poupa muita dor de cabeça.Quando você tem um canal de comunicação passada e interpretada de uma forma simples, acessível, pelo público, de uma maneira geral". Aponta Paulo.
O sentido do tema, se existe ou não um índice de estupro muito alto, para Paulo Roberto, uma série de grupos provoca uma série de assuntos para dar um "Pânico Moral", contribuindo para criar uma situação de que, por exemplo: Uma mulher
agora não pode andar de roupa curtinha, apertada, que vai ser estuprada.Isso é
o Pânico moral”. Define.
Uma palavra pode definir tudo para Araújo :
“A co-relação, é a palavra-chave para ser colocada nesse tema. Não é a
mesma coisa do que causa. Uma co-relação entre grau de escolaridade, renda, e
acesso em determinados bens, práticas e costumes relacionados a sexualidade,
são o que a co-relação abrange.É uma maneira de dizer que uma coisa causa a
outra. Mas você não conhece quais são os mecanismos que causam. Uma pessoa que
ganha mais, quem estuda mais ou é mais rico, pode ser interpretada como uma
pessoa mais liberal, não está necessariamente causa a outra, mas está
relacionada a outra”.Sintetiza Paulo.
A troca da co-relação pela causa, tem sido uma informação errônea, para
os que consomem essas matérias, passando também pelo tema da Sexulaidade, nos
estudos do Livro A Cabeça dos Brasileiros, pela Editora Record, de autoria do
sociólogo Alberto Carlos Almeida , segundo Paulo Roberto:
“ Na hora que tem que ser analisado, temos que levar certos fatores onde
o livro do Alberto. As pessoas do Nordeste, Sul e outras regiões são mais
conservadoras, pode ser analisada pelo IPEA que a roupa provoca o estupro.Você
pode dizer que a Região Sudeste pode ser mais liberal que a Região Nordeste,
sim.Como que pode explicar os números de estupro que cresceram em cidades do
Sudeste, como Cabo Frio, por exemplo. Em 1987, no Governo Moreira Franco, foi
feita no Rio de Janeiro a primeira Delegacia Especial da Mulher. A segunda do
Estado foi em Cabo Frio, e é na Região Sudeste”.Aborda o sociólogo.
No fim do Podcast, Paulo Roberto alerta sobre o que deve ser levado em
conta é a maneira de se colocar a prática decorrente da violência doméstica:
“Será que o número de estupros no Brasil também não aumentou, porque as
denúncias de violência também aumentaram.Ou seja, será que a maioria desses
estudos, está dentro de casa?Aí não é uma questão de minissaia, né? Você pega a
quantidade de estupros, mil. Quantos desses estupros foram praticados dentro de
casa? Se foram praticados dentro de casa significa que esses estupros são
considerados recorrentes, eles já são rotina da violência doméstica. Então já
tem uma duplicação, ela apanha e ainda é estuprada pelo marido”. Declarou.
Links Relacionados:
http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=21908&catid=159&Itemid=75
http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=21908&catid=159&Itemid=75
No podcast abaixo, escute a entrevista que o repórter da Jovem Mídia Artur Rangel fez com o Professor Paulo Roberto Araújo.

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